segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sofia
O meu carinho e a promessa
Um pedaço de toda dor
Onde que tudo começa?
Me tira o pão, a alma e o amor
Qualquer lua que eu peça
Algum minuto incolor
Onda estará minha peça?
Assim eu vou me partindo
Assim eu vou te chegando
De alguma forma te pedindo
De alguma forma te chorando
Perguntando por que seguindo?
Sem saber --- por que te amando.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Tua cor marrom
Estupefato em necessidade
Assim me acho
Perdendo-me em ti
Nas tuas falanges de alegrias
Nas tuas guerras de lagrimas
O alibe do teu sofrimento
Por vezes é meus olhos mansos
Em calmaria profunda
Contemplando-te em indecisão
Ah, meu bem,
Essa tua cor marrom
Esse teu corpo febril
São as marcas da tua humanidade
Daquela que mesmo em fúria não perdes
Tens a peçonha do ser humano
Sem perder a santidade da carne
És o pão que nunca me pode faltar
O resto de homem que ainda possuo
O branco dos teus olhos
Escondido atrás do teu negro olhar
São a hipnose do meu observar
E assim sigo a vida
Em ti
Em mim
No mundo
No mundo cruel e perfeito que vivemos
Na vida mansa e infinita que fazemos
No amor imperfeito que forjamos
E banhado no pecado dos corpos.
domingo, 14 de agosto de 2011
A menina e o espelho
domingo, 7 de agosto de 2011
Comigo
Parecer comigo é insuportável
Mas é assim mesmo: inegável
Que a dor em mim
Seja a dor nos outros
terça-feira, 12 de julho de 2011
Humilhados e Ofendidos: A lei e a justiça em Dostoiévski e Derrida
terça-feira, 5 de julho de 2011
Conversa de amigo
sexta-feira, 10 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Falta de si (Carta de um Vivo-Morto).
Rios de luz entrelaçados no escuro dos meus olhos.
Penso sobre o Ser do meu futuro.
E da dor deste Ser-que-serei,
quando lembro do que sou agora.
Me resta a abstinência que sinto de mim mesmo...
Dou qualquer valor por mais uma dose de mim.
Isso, queridos amigos, há muito morri.
Talvez com 19, ou 16.
Vivo nesta carne de um vivo-morto.
Assombro meu passado com o meu presente.
Me sinto mais que morto!
E o que ainda tinha por viver?
Meros devaneios felizes que nunca viverei.
Mas o que distinguiria esses sonhos felizes das lembranças de quando vivia?
Isso, meus queridos amigos, somente vossas lembranças de mim são o que me fazem ter certeza,
Certeza de que as minhas recordações existiram,
Funcionando como uma prova de vida.
Prova de Amor.
OBS: "Abstinência de si" é uma expressão de Paulo Tamer.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Lavoura
Eu quero dar-te a flor do tempo
Não para que a vejas florir
Mas para que admire o seu perecimento
Perto da tua carne, perto do teu sopro.
E no convite da beleza dos ponteiros
Possas ver-te refletir no relógio parado
Nas válvulas quebradas
Do motor estático
Que perde sua força motriz.
Fechas os olhos e tudo se esvai
Abaixas as pálpebras
E me presenteias com o gelo das horas
Assim te fazes: guardiã dos absolutos
Aquela que desvirtua os mutáveis
Que violenta meus horizontes
Que me dá a poesia
Vivida, chorada, cantada.
Mas não escrita.
Eu vejo que não gostas de poesia
Mas tu, para que gostar?
Transpiras fermento da mente dos poetas
Fertilizas a semente das imaginações
És o irrigar das inspirações.
Te tornaste a lavoura dos meus versos
Onde o trabalho é minha religião
E o colher é meu cristo
És uma presa
Inalcançável ao instinto predatório
Inestimável a tua matilha que és tu mesma.
Passeias pelos vales dos meus olhos
Onde o seguir-te não é opção
Onde o querer-te não é voluntário.
És um verso torto e sem rima
Eivado de beleza ferina
Onde a tua cor castanha
Divina e humana
Faz de meu amor por ti, doce criatura
O mais belo bem libertador.
Paulinho
01/06/2011
domingo, 22 de maio de 2011
TUDO É MERDA

A própria vida é merda engarrafada
Em tudo vive a merda derramada
Quer seja misturada ou sem mistura
O bem é merda. O mau, merda em tintura
A glória é merda, apenas e mais nada
A honra é merda, e merda bem cagada
Merda é o amor. Merda é a formusoura
E merda, merda rala é a inteligência
Feita de merda é toda a consciência
Merda é o coração. Merda é o prazer
Feita de merda é toda a humanidade
Em tanta merda a própria terra invade
Que um soneto de merda eu quis fazer
terça-feira, 10 de maio de 2011
Chuva
A chuva derrama sua lagrima diária
Compelindo o mundo a chorar com ela
Lavando a rua dos sangues escusos e espúrios
A tempestade arrasta com o vento
Os nomes prostituídos deixados a beira pista
Levando consigo todos os lamentos da pobreza
Ah, quem me dera a chuva lavasse meus olhos
Pra não ter necessidade da lágrima resoluta
Quem dera a chuva limpasse meu rosto
Da feição feliz e resignada de saudade
Quem dera a tempestade
Arrastasse consigo as lamúrias do meu peito
Ardente em vontade
Sereno em amor
Que o vento emasculasse meus sentidos
Ou pelo menos os sentimentos
Por um dia, uma hora, uma semana
Poupando-me da distância
Das léguas
Dos quilômetros
Assim vivo eu
Assim vive meu poeta
Pela primeira vez
Mesclados em um único corpo
Hospedeiros de um mesmo amor
Vítimas e autores de um mesmo delito
Misturando ego e eulírico
Numa uniforme paixão por teus olhos
Assim vivo eu
Assim vive meu poeta
Feito índios dançando à chuva
Como ciganos migrando em direção a tua beleza
Como balonistas
Implorando ao vento sua misericórdia
De levar-nos ao teu encontro
Que nos permita de bocas abertas à tempestade
Provar tua saliva que irrompe em luz pelo espaço que nos separa.
Tua palavra
Tua vida
Tua luz
São as causas pelas quais pecamos
São os motivos pelos quais somos criminosos
São o caminho por onde juramos um dia não passar.
Nosso maior crime
Nosso maior pecado
Nossa maior infâmia
E nossa maior sorte
Foi amar-te como um só
sábado, 7 de maio de 2011
Saudade
Eu gostaria de repetir o parto da tua chegada
Invertendo os pólos fugazes da tua distância
Perpetuando com isso as bocas que não se arrependem
Dos corpos que ainda se querem
E da saliva que não conseguiu se separar
Meu bem, te sinto tanta falta
A tua ausência esvazia meu ânimo
Me seca metade do copo
Me brinda a tristeza
Festejando saudade
Escrevo-te como um faminto
Desejando teu gosto sem prudência
Idealizando teu cheiro sem paciência
E no barato conclusivo da nossa distância
Falimos com o espaço
Dando à nossa liberdade
A forma mais doce de nos deixar prender.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Porquê
Sou advindo das coisas sem lógica
De coisas que nem as letras querem explicar
Sou filho das imagens sem forma
Sem sentido e sem coerência
Participo das vida como algo que não existe
Como algo que só plana
Que só recolhe o que ninguém quer
E só acolhe o que o quer
Não quero desenhos
Nem gosto das pinturas
Prefiro os rabiscos das crianças envolvidas em sua inspiração
Os traços mal feitos que expressam o seu sentir
Sim,
Eu sou algo alheio ao redondo do mundo
Algo apartado das colunas da vida
Ou de qualquer outra forma que queira ser imposta
Mas reformulo-me nas formas do querer
Do querer por querer
Sem saber nenhum porquê
Prefiro ser filho das coisas mortas
Das coisas que já perderam a vida
Ao ser herdeiro das coisas que vivem por algum sentido
Prefiro repousar na tumba dos que não se perguntam
Do que estar em meio a tantas interrogações
Viver assim me dá amor
Me dá o teu amor
Um amor que se basta em si mesmo
Que não questiona a sua forma
Que não mede o seu infinito
Que não soma nem multiplica
Mas que já existe na proporção máxima do sentir.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Tudo meu; Tudo teu
Contemplo-te na essência da saliva
No salgado da lágrima
Sentindo no meu deguste
O sabor da tua tristeza
Não te iludas
Que qualquer distância separe nossos corpos
Ou que qualquer espaço afaste minha lembrança
Eu permaneço contigo
Mesmo na ausência do tocar
Mesmo na falta no olhar
Meu âmago
Sofre pela tua falta
Meus sonhos choram o teu sofrer
E na perpetuidade do meu querer-te
Hospedo tuas lamúrias
Em fases contundentes de sentir
Na conexão das nossas paixões
Idas e vindas dos corpos
Reformas e formas da minha alma
Sentem a tua doçura
Se despedaçando em ciúmes
E recompensando em perdão.
Tens tristeza como todos
Mas minha tristeza é como de poucos
Sofro porque sofro
Ou sofro porque sofres
São as duas únicas maneiras
De não ter perto de ti
Os sorrisos de amor e compreensão
Que hoje
Que sempre
Terei ao te observar
quinta-feira, 28 de abril de 2011
8
Ontem marquei meu corpo
Marquei com algo definitivo
Com algo que assombraria os olhos vãos
Os olhos que são só do agora
Eu feri minha pele
Com uma marca mais antiga do que a ferida
Marquei-me com o símbolo da completude
Da interminável razão do pêndulo nosso
Com o ícone das tuas veias pulsantes
Dos teus sinais inebriantes
E de um sorriso que cega
Inspiro-me no teu paradigma de naturalidade
Na tua busca incessante pelo tudo
Entendendo a natureza das coisas
Sem contentar-se com as migalhas
Ah meu bem, a ferida ainda me dói
A cicatriz coça
E a cada martírio da pele
Eu sinto a doçura das tuas mãos em mim
Eu vejo na saudade das bocas
Na degustação das nossas salivas
A esperança inabalável das nossas mentes
E a progressão incessante dos nossos amores
Eu parti pelo ter
Não pelo querer
E na razão contida nos meus olhos
E a paixão irrompida em meu peito
Eu retornarei a algo que desde seu principio é sem retorno
Meu bem eu tive todas as razões para te deixar
Momentaneamente te deixar
Mas tive só uma pra permanecer
E permaneci
Insculpido em teu peito
Marcado em tua pele
Com a mais doce lembrança do que nunca precisa ser lembrado
Daquilo que jamais é esquecido
O infinito pródigo do nosso amor.


