terça-feira, 8 de novembro de 2011
Poesia pra ele
que de olhar tão profundo,
me levou o coração.
E as palavras pouco claras.
Das canções mais raras,
domina o refrão.
Menino vadio, sem escrúpulos,
me deixou em seu mundo
levou todo o meu chão.
E depois, como quem logo esquece,
não que eu me interesse,
anda em outra paixão.
Pequeno, nem todo bonito,
provocou o meu grito,
E na garganta mil nós.
Mas por trás de todo esse teatro,
dois mais dois são quatro,
Estaremos a sós.
Pouco me importam as outras,
Teu molde sou eu e não cabe ninguém.
Na tua fôrma, só cabe meu corpo,
Minhas formas, meu rosto te dizem: amém.
Apesar de você,
amanhã ha de ser:
Eu sorrisos, você solidão.
Como o filho que volta pra casa,
cortarás tua asa
e trarás, coração.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
À cara de um sujeito dividido
De repente, no fim da tarde, ali estava eu: em pé, parado, pensativo e olhando para o nada; dentro de uma loja de operadora de celulares, dentro do shopping Center. Um tanto distante daquela realidade movimentada e iluminada, por uns minutos, pairei nas nuvens das idéias. Uma idéia leva a outra. A qualquer direção que meu olhar avidamente se dirigira, uma cena diferente me aturdia.Ao lado, duas crianças manuseavam hábil e freneticamente uma espécie de Ipod tamanho gigante de última geração. Não sei o nome. É o ultimo lançamento. A novidade do momento. Alguns de vocês hão de sabê-lo.
Mais a frente, funcionários e vendedores. Todos com o mesmo uniforme. Apressados, atendiam telefones que tocavam sem parar; demonstravam aparelhos a clientes - com aquele empenho e obstinação inquebrantáveis característicos dos vendedores – no afã inexorável (que, aliás, deve custar-lhes uma bela fadiga quando tudo acaba) de convencê-los de que estão, sem dúvida alguma, fazendo a melhor escolha de suas vidas. Uma vendedora em específico se diferenciava dos demais. Esta chamou a atenção de meus olhos. Diferindo-se de todos (menos de mim), ela também estava parada e contemplando o nada com o olhar. Era como se tivesse desistido daquela correria e também tivesse percebido a loucura daquilo tudo, indo além em seus pensamentos. Um funcionário vestido em outro uniforme (mas também uniformizado!) – uma calça de linho e uma camisa de mangas compridas, mais social –, exibindo claramente aquela imagem que impunha sua superioridade ante aos outros funcionários, passou ao lado desta mulher peculiar e, com a tez da face contraída e a testa franzida, disse-lhe algo ao pé do ouvido. E ela, como que acordando de um sonho, voltou a se movimentar (apesar de que ainda tímida e vagarosamente).
Ao meu outro lado, duas mulheres. Clientes exigentes, pareciam. Uma reclamava qualquer coisa falando sozinha, talvez a demora em a chamarem pelo numero da senha, ou talvez a má qualidade do serviço como um todo. A segunda mulher brigava com alguém pelo celular. Dizia: “agora não dá, fulano... estou aqui nesta porcaria desta TIM contestando uma conta que veio errada. Pra nos cobrar e nos roubar eles são craques!”.
Naquele momento só meu de observador viajante – “só meu” por se tratar do devaneio mais profundo durante o momento mais corriqueiro da vida cotidiana -, em que tais cenas aconteciam lenta e silenciosamente para mim, quase chorei. Perguntei-me sobre o sentido desta vida. Aquilo era viver? E eu, que estava a fazer naquele lugar tão estranho e sem sentido? Eu fui ali para comprar um celular. Já fazia muito tempo que eu não saia para fazer isto, notei.
Tive o antigo aparelho celular sorrateiramente subtraído de meu bolso enquanto me debatia para livrar-me de um daqueles conturbados emaranhados de gente que se formam de vez enquanto nas noites de trasladação do Círio de Nazaré. O celular já era velinho. Era um senhorzinho humilde e modesto, de aparência bastante simples. Já conseguia me constranger um pouco diante dos imponentes, viris e pós-modernos que já apareciam freqüentemente nas mãos dos outros.
Constrangimento? Não seria um termo muito forte? Não é um tanto dramático de minha parte? Que seja. Quem foge à regra dos valores dominantes, naturalmente, tende à marginalidade. Talvez não seja nem um pouco difícil acabar se tornando um marginal na sociedade em que vivemos.
“Por causa de um celular alguém se sente deslocado? Aff... é muito sentimental!”. Será que refleti apenas sobre um celular quando, enfileirado e querendo um celular novo, me aturdi com a vida naquele fim de tarde? Creio que quem ouse não acompanhar o marasmo das novidades do consumo – do gozo inalcançável -, quem não ingressa neste espaço virtual (virtual porque, concretamente, sabemos que apenas muito poucos gozarão de tais gozos), parece estar fadado a uma espécie de anacronismo e, portanto, de marginalidade.
Voltado à loja: de repente, eu estava à frente de um enorme e extenso balcão de vidro, no qual havia dezenas e dezenas dos celulares mais sofisticados à exposição. Os mais diversos modelos e cores, todos brilhando e repletos de botões (tais como teclados de computador em miniatura). Precisava escolher um. Como? Aquilo era um bombardeio de estímulos, um mar de possibilidades. Era um convite a me deixar ansioso, a me deixar ouriçado olhando tudo e a não saber escolher. Eu ficaria agitado bisbilhotando a tudo – de aparelho em aparelho, apertando o maior numero de botões possível, conhecendo o maior numero de funções e aplicativos possíveis – e no final não saberia escolher, com uma sensação de vazio... de que não vi tudo... de que não aproveitei todas as possibilidades que esta vida das “liberdades” poderia me oferecer.
“Escolha” e “vazio”: palavras muito atuais[1]. Parece-me que uma das nossas grandes dificuldades neste novo mundo - que “nos oferece” infinitas possibilidades de prazer - é a de renunciar. A grande dificuldade que sentimos é a de aceitar as perdas, a de aceitar que a vida é marcada pela incompletude (incompletude, que nossos antepassados, em condições materiais mais precárias, sabiam lidar melhor). Seremos eternamente faltosos. A morte (no seu sentido amplo) não nos escapará. Ter a sensação de que estamos perdendo algo parece mais terrificante do que nunca. A sensação estranha e familiar de que tivemos algo que foi para sempre perdido sempre nos perseguiu perenemente (e sempre nos perseguirá). Porém, hoje nos munimos de um monumental arsenal de armamentos efêmeros para completar o que(?) está faltando e assim aliviar nosso psiquismo: medicamentos (para tudo), auto-ajuda, entretenimentos, pessoas, sexo, art pop, tatuagens, cirurgias plásticas, cinema (aqueles que nos dão “tudo mastigado”), celulares. É consumindo tudo isso e muito mais – objetos que se desvanecerão rapidamente (por isso são efêmeros) - que temos procurado desesperadamente tapar esta espécie de buraco que nos constitui. Por serem passageiros – aliviarem passageiramente nosso mal estar – precisarão ser substituídos rapidamente. O Capital agradece!
Se não pararmos para nos perguntar sobre o nosso mal estar e produzir sentidos mais efetivos para eles, permaneceremos como marionetes, escravos da lógica do consumo, no qual as marcas maiores em nossas subjetividades são a ansiedade, a violência e, principalmente, o vazio existencial. Não nos damos conta de que apenas ficarmos dizendo “Estamos no século da depressão, vamos procurar levar uma vida mais saudável” é algo um tanto vago (para não dizer frívolo e patético). Este clamor por uma vida mais saudável parece apenas esperar que a indústria psicofarmacológica trabalhe dobrado e nos ofereça mais remedinhos que nos deixem dopados e calminhos para continuarmos sem refletir sobre nossos males, nossas perdas, nossa sociedade, nossa vida.
Naquele momento, na loja, sufocado, oprimido e aflito – em meio aquele frenesi; aquela multidão; aquelas luzes todas; aquelas pessoas, que num balanço geral, são mais carentes e desalentadas do que felizes (por mais que se movimentem muito) – eu precisei filosofar. Eu precisei parar e pensar algo para além do que eu via. Pensei nessas bobagens que aqui estão escritas.
Também sou um sujeito dividido. Não estou fora deste mundo. Divido-me entre dançar conforme a música cantada pelas leis perversas que regem este mundo - desejando seus objetos sedutores de consumo – como sempre me ensinou meu Pai; ou, por outro lado, derrubar meu Pai, revolucionando esta história, perseverando nesta caminhada mais árdua de revoltar-se e inventar o futuro. Aos que, como eu, revoltaram-se contra seus pais, creio que um primeiro passo é reconhecer que eles – nossos pais - estão em nós mais do que imaginamos. Eles estão em nós independentemente da nossa vontade consciente. Gostaria que esses pais fossem entendidos não apenas em sua literalidade. Nossos pais: uma tradição moral que nos atravessa, que está arbitrariamente corporificada em nosso ser.
Na loja, estive em conflito por ser dividido. Em conflito porque, ali, olhando para os celulares, me deparei claramente com uma realidade difícil para mim (difícil de aceitar): tenho um fetiche pelos celulares. Eu os desejo. Possuí-los e exibi-los é simbólico, é obter um prazer extra-biológico. É fazer questão de mostrar que tenho um bem privilegiado; e que, portanto, possuo poder e luxuria sobre os outros seres humanos. Isto é horrível. Horrível para mim, um garoto tão correto e humanista. Culpei-me. E isto, só percebi agora: escrevendo, pensando. Naquele momento, apenas um mal estar. Desejando o símbolo do poder, eu parecia com o meu velho e odiado pai.
Ante a todas aquelas possibilidades expostas ao meu fetiche naquele enorme balcão de vidro, escolhi. Em pleno século XXI consegui renunciar (pelo menos, achei que havia conseguido) e escolhi. Comprei um celular de última geração: internet, redes sociais, 2G de memória, câmera de foto e vídeo, lanterna, jogos, aplicativos, entrada para dois ships, bluetoof, e muito mais.
Isto me matou. Violentei-me. Chegando em casa, não consegui viver paz olhando para aquele celular. Dois dias depois, voltei à loja e o devolvi. Eu não poderia me render assim, mesmo desejando. Desejar o proibido é o que mata. Voltei mais leve para casa, me dando um tempo - sem celular! - para escolher outro. Ainda não escolhi. Mas terei de escolher. Talvez não seja nem um tão humilde e nem um tão imponente, e sim um mediano: a minha cara. A cara de um sujeito dividido.
[1] Se meus interlocutores não quiserem aceitar com certa universalidade o que contarei agora, tomem minhas palavras a seguir apenas como bobas confissões pessoais, mesmo eu me exprimindo na primeira pessoa do plural.
sábado, 8 de outubro de 2011
Homem, Mundo
Ah, Deus
Me orgulho dos vastos céus sem azul
Dos mares agitados e sem piedade
Das terras chacoalhantes e indignas
Me orgulham também as flores mansas e inocentes
O asfalto negro e resignado
As arvores que questão nenhuma fazem de se mexer
Assim me regozija a paixão
Sem calma nem paciência
Sem imagem nem decência
Da mesma forma o amor
Paciente e desprendido
Sem avidez nem possessão
Lento e etéreo como os ventos
Somos seres como a natureza
Violentos e pacíficos
Ingratos e agradecidos
Subjugados a dor e a alegria
Eivados por esperança e desespero.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Versos de Clara
Fácil falar do amor em dor
Em pêsame
Em perda
Em separação
Mas teu amor em mim
Se mostrou mais que tudo
Mais que um dom
Mais que uma memória
Mais que um professor
Caminhando pela seara do meu desconhecido
Contemplo minha razão
Meu troféu solitário
Em completa balburdia
Em decomposição
Substituíste meu frio pensar
Pela alegria dolorida da emoção
Pelo amanhecer do meu amor por ti
Ainda inclino a cabeça para ver-te
Como o lobo que se curva para ouvir o vento
Freando meu pensar
E dando força ao gatilho do que me infesta
Ao refeitório lúcido do meu amor
És minha refeição
Meu pão diário
Aquilo que não pode me faltar
O incisivo golpe que cega
E a soberana ordem que dá vida
És o nascer e o renascer meu
O intuitivo modo de abrir os olhos
O involuntário ato de respirar
És um verso claro
Límpido e transparente
Que parte de mim
Da minha boca
Das minhas letras
E toma o mundo com a autoridade da tua beleza
Ah, meu bem
Te vejo como a flor
Que não padece sob o outono criminoso
Te vejo como a morte de todo ímpio
Como a extirpação de toda a minha iniqüidade
Me permites equilíbrio,
Sobriedade e felicidade
És meu começo e minha metade
Minha fartura e minha falta
Minha luz e meu pensar
És o beijo do vento em meu rosto
Meu amor em paz composto
Minha fatia de divindade
Teu amor por mim me invade
Me toma e me agracia
Me permite o sacrifício dos meus erros
E a premiação dos meus acertos
É o coração jovem que bate ruborizado
Em plena atividade de vida
O organismo que nunca padece
És parte mulher e parte inverno
Parte menina e parte calor
Parte de mim e parte de tudo
Pois parte de mim para ti
Meu amor, meus versos, meu mundo.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sofia
O meu carinho e a promessa
Um pedaço de toda dor
Onde que tudo começa?
Me tira o pão, a alma e o amor
Qualquer lua que eu peça
Algum minuto incolor
Onda estará minha peça?
Assim eu vou me partindo
Assim eu vou te chegando
De alguma forma te pedindo
De alguma forma te chorando
Perguntando por que seguindo?
Sem saber --- por que te amando.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Tua cor marrom
Estupefato em necessidade
Assim me acho
Perdendo-me em ti
Nas tuas falanges de alegrias
Nas tuas guerras de lagrimas
O alibe do teu sofrimento
Por vezes é meus olhos mansos
Em calmaria profunda
Contemplando-te em indecisão
Ah, meu bem,
Essa tua cor marrom
Esse teu corpo febril
São as marcas da tua humanidade
Daquela que mesmo em fúria não perdes
Tens a peçonha do ser humano
Sem perder a santidade da carne
És o pão que nunca me pode faltar
O resto de homem que ainda possuo
O branco dos teus olhos
Escondido atrás do teu negro olhar
São a hipnose do meu observar
E assim sigo a vida
Em ti
Em mim
No mundo
No mundo cruel e perfeito que vivemos
Na vida mansa e infinita que fazemos
No amor imperfeito que forjamos
E banhado no pecado dos corpos.
domingo, 14 de agosto de 2011
A menina e o espelho
domingo, 7 de agosto de 2011
Comigo
Parecer comigo é insuportável
Mas é assim mesmo: inegável
Que a dor em mim
Seja a dor nos outros
terça-feira, 12 de julho de 2011
Humilhados e Ofendidos: A lei e a justiça em Dostoiévski e Derrida
terça-feira, 5 de julho de 2011
Conversa de amigo
sexta-feira, 10 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Falta de si (Carta de um Vivo-Morto).
Rios de luz entrelaçados no escuro dos meus olhos.
Penso sobre o Ser do meu futuro.
E da dor deste Ser-que-serei,
quando lembro do que sou agora.
Me resta a abstinência que sinto de mim mesmo...
Dou qualquer valor por mais uma dose de mim.
Isso, queridos amigos, há muito morri.
Talvez com 19, ou 16.
Vivo nesta carne de um vivo-morto.
Assombro meu passado com o meu presente.
Me sinto mais que morto!
E o que ainda tinha por viver?
Meros devaneios felizes que nunca viverei.
Mas o que distinguiria esses sonhos felizes das lembranças de quando vivia?
Isso, meus queridos amigos, somente vossas lembranças de mim são o que me fazem ter certeza,
Certeza de que as minhas recordações existiram,
Funcionando como uma prova de vida.
Prova de Amor.
OBS: "Abstinência de si" é uma expressão de Paulo Tamer.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Lavoura
Eu quero dar-te a flor do tempo
Não para que a vejas florir
Mas para que admire o seu perecimento
Perto da tua carne, perto do teu sopro.
E no convite da beleza dos ponteiros
Possas ver-te refletir no relógio parado
Nas válvulas quebradas
Do motor estático
Que perde sua força motriz.
Fechas os olhos e tudo se esvai
Abaixas as pálpebras
E me presenteias com o gelo das horas
Assim te fazes: guardiã dos absolutos
Aquela que desvirtua os mutáveis
Que violenta meus horizontes
Que me dá a poesia
Vivida, chorada, cantada.
Mas não escrita.
Eu vejo que não gostas de poesia
Mas tu, para que gostar?
Transpiras fermento da mente dos poetas
Fertilizas a semente das imaginações
És o irrigar das inspirações.
Te tornaste a lavoura dos meus versos
Onde o trabalho é minha religião
E o colher é meu cristo
És uma presa
Inalcançável ao instinto predatório
Inestimável a tua matilha que és tu mesma.
Passeias pelos vales dos meus olhos
Onde o seguir-te não é opção
Onde o querer-te não é voluntário.
És um verso torto e sem rima
Eivado de beleza ferina
Onde a tua cor castanha
Divina e humana
Faz de meu amor por ti, doce criatura
O mais belo bem libertador.
Paulinho
01/06/2011
domingo, 22 de maio de 2011
TUDO É MERDA

A própria vida é merda engarrafada
Em tudo vive a merda derramada
Quer seja misturada ou sem mistura
O bem é merda. O mau, merda em tintura
A glória é merda, apenas e mais nada
A honra é merda, e merda bem cagada
Merda é o amor. Merda é a formusoura
E merda, merda rala é a inteligência
Feita de merda é toda a consciência
Merda é o coração. Merda é o prazer
Feita de merda é toda a humanidade
Em tanta merda a própria terra invade
Que um soneto de merda eu quis fazer
terça-feira, 10 de maio de 2011
Chuva
A chuva derrama sua lagrima diária
Compelindo o mundo a chorar com ela
Lavando a rua dos sangues escusos e espúrios
A tempestade arrasta com o vento
Os nomes prostituídos deixados a beira pista
Levando consigo todos os lamentos da pobreza
Ah, quem me dera a chuva lavasse meus olhos
Pra não ter necessidade da lágrima resoluta
Quem dera a chuva limpasse meu rosto
Da feição feliz e resignada de saudade
Quem dera a tempestade
Arrastasse consigo as lamúrias do meu peito
Ardente em vontade
Sereno em amor
Que o vento emasculasse meus sentidos
Ou pelo menos os sentimentos
Por um dia, uma hora, uma semana
Poupando-me da distância
Das léguas
Dos quilômetros
Assim vivo eu
Assim vive meu poeta
Pela primeira vez
Mesclados em um único corpo
Hospedeiros de um mesmo amor
Vítimas e autores de um mesmo delito
Misturando ego e eulírico
Numa uniforme paixão por teus olhos
Assim vivo eu
Assim vive meu poeta
Feito índios dançando à chuva
Como ciganos migrando em direção a tua beleza
Como balonistas
Implorando ao vento sua misericórdia
De levar-nos ao teu encontro
Que nos permita de bocas abertas à tempestade
Provar tua saliva que irrompe em luz pelo espaço que nos separa.
Tua palavra
Tua vida
Tua luz
São as causas pelas quais pecamos
São os motivos pelos quais somos criminosos
São o caminho por onde juramos um dia não passar.
Nosso maior crime
Nosso maior pecado
Nossa maior infâmia
E nossa maior sorte
Foi amar-te como um só


