quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Nunca mais, Vinícius de Moraes
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Minha cidade, caminhada
sábado, 28 de janeiro de 2012
Verdade Primeira
Investigo-me a consciência.
Livra-me do amanhecer, noite das dúvidas.
Reforma-me em sons agudos e timbres harmoniosos.
Ah, dúvida dos homens,
Construam homens sem dúvidas
Questionar-me em minha guerra
É realizar-me de paz e verdade
E encher-me do terror do conhecimento.
Conhecer dá medo,
Mais medo é não conhecer o medo.
Paz ou guerra?
Escolho ambas como minha cama.
Estar em paz por conhecer,
Estar em guerra com o revelado.
E assim me sinto em campo,
Em uma paz em estado permanente
E uma guerra em estado latente.
A guerra dos homens é não conhecer,
A paz do espírito é não conhecer a ignorância,
Apenas a calmaria da verdade.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Nunca lerás (Haikais em série).
Me desejei uma dança.
Me conseguiste por todo.
Mão nas tuas costas,
Meu nariz no teu cabelo.
Firmes, palmas juntas.
Uma frase, ou duas.
Vem o fim da minha música.
Frágeis, as lembranças.
Odores perdidos.
Também teu nome perdido.
Meus Poemas por dito.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Estranho Encantamento 2
Estranho Encantamento

Caro Felipe,
A título de deleite ou de consolo, posso te dizer, pelas palavras de Ruy, que "há sempre o que sortir nestes doendo". Pode ser que esta melancolia que às vezes te toma o peito seja a mesma a força mística que adoça a mágica do teu pinho, só assim, para repousar os olhos sobre a lira e perdoar essas ingratas. Ou então, penses que este amor, que deveras sentes, não precise mesmo da consumação da carne para se eternizar nesses teus versos e nessas tuas melodias que tocam o céu em valsa.
De minha parte, não sei bem quando isto começou em mim. Talvez mesmo muito antes delas existirem ou passarem pela minha vida, mesmo que nos melhores sonhos. Nisto, nos acompanha o bom e velho Chico em seu “Bolero Blues”:
Quando eu ainda estava moço
Algum pressentimento
Me trazia volta e meia
Por aqui
Talvez à espera da garota
Que naquele tempo
Andava longe,muito longe
De existir
Tantos tristes fados eu compus
Quanto choro em vão,bolero blues
Que tempo mal passado amigo! Olhar para não sei onde, em busca de não sei o quê, talvez alguns suspiros perdidos para a menina mais bonita do Colégio... Mas como era boba esta menina! Como eu sabia que não era ela. Mas quando ela, a outra ela apareceu, já não tive mais dúvida, o tempo era o próprio instante e não havia mais espera, era como se o Sol tivesse se misturado com a própria terra:
Eis que do nada ela aparece
Com o vestido ao vento
Já tão desejada
Que não cabe em si
Mas o que talvez não soubéssemos meu caro, era que o desejo era nosso, só nosso e nele mesmo residia a força de tudo aquilo. Não que a beleza da amada não existisse por si, mas o nosso desejo, que nela então transbordava, era o que conferia a máxima dignidade daquela pintura, que através dos nossos olhos, e só dos nossos olhos, caminhava em passos lentos em direção ao divino. A partir daí, como tu bem sabes, já não há salvação. Alguma coisa nos domina e nos vai descendo levemente a garganta, sem sufocar por hora, mas tomando conta do nosso peito e dos nossos pensamentos. Basta um sorriso, uma foto, um movimento de cabelos que vão e vêm, de passos que se vão e nunca voltam, de mãos que anunciam a partida como se anunciassem nossa própria morte.
É quase uma peregrinação meu amigo. A diferença é que não sabemos quando acaba. Ela toma conta de nossos gestos, da nossa alma e vai caindo por vezes em brasa sobre os nossos sonhos, fazendo-nos despertar de noite como quem desperta para o nada. E com o barulho do relógio que vai e vem, vêm e vão também as esperanças. E então vamos seguindo silenciosamente os passos dela, tentando calar o coração que bate em ritmo acelerado, lembrando algum samba antigo ou mesmo qualquer canção, porque, no final das contas, tudo mesmo nessas horas conduz à mulher amada. Atendendo ao nosso chamado, , às vezes elas viram aquilo que chamamos “namoradas”. E “que lindas namoradas todas elas poderiam ser...”. Mas sabes muito bem que isto nem sempre ocorre e que, algumas delas, as mais cruéis ou desatentas, nos deixam à beira do caminho, sem eira nem beira, sem vontade de querer ir e sem ter também por que ficar:
Neste crucial momento
Neste cruzamento
Se ela olhar para trás
É bem capaz de num lamento
Acudir ao meu olhar mendigo
Mas aquela ingrata corre
E a Barão da Torre e a Vinícius de Moraes
São de repente estranhas ruas
Sem o seu vestido ficam nuas
E ao vento eu digo
-tarde demais
O homem estátua 3
Foi quando o homem estátua percebeu que portar este segredo, essa vontade de não sei o quê que sentia dentro de si e que era só dele, era como portar também sua incomunicabilidade. Algo de amargo lhe desceu pela garganta. E, por um minuto, olhou o céu como se não vivesse. Deixou-se então encantar um pouco mais com o resto de dia que ficava daqueles que haviam passado, deixando suas histórias, suas maneiras e seus passos. Ele sabia que sairia dali e mais uma vez percorreria a mesma rua, sentiria o mesmo cheiro da baía e confidenciaria o mesmo segredo com as proas, tentando quem sabe imaginar as histórias que deram nome aos barcos. Mais uma vez nada teria para dizer e tudo conteria dentro de seu infinito incomunicável. O homem estátua sentiu-se só. Desceu do banco, guardou seus pertences e fechou a maleta. As lágrimas que lhe caiam no rosto começaram a borrar levemente a maquiagem. Neste dia, o homem estátua chorou baixinho, como só se chora em Belém do Pará.
David Carneiro, em 21/11/09
O homem estátua 2
O homem estátua 1

Seguia calmamente pela rua naquela manhã de domingo. Horas antes, ainda bem cedo, quando mesmo o sol hesitava em afrontar-lhe o corpo, ele já havia levantado. Não conseguiu dormir bem naquela noite. Mas isso já não era novidade. Ainda sentado em sua cama, observava cada canto do cômodo, procurando qualquer coisa que sabia bem não poder encontrar ali. Por algum motivo, soluçou subitamente e colocou o rosto entre as mãos. Permaneceu assim durante alguns minutos. Em qualquer impulso que veio sabe-se lá de onde, resolveu levantar da cama e enfrentar o dia que nascia. Era mais um dia.
Depois do banho, começou a passar a maquiagem prateada no rosto. O frio da tinta arrepiava sua pele como quem machuca de leve, dando a impressão que todas as suas expressões se congelariam em breve. E, de certa forma, assim o era. Quando a tinta começava a se espalhar pelo corpo, já não havia sentimento em sua alma que não sofresse um certo recrudescimento. Se antes latejavam em sua pele como quem quisesse fugir desesperadamente pelos poros, agora se aquietavam em uma resignação consternadora. A tinta tomava conta do seu corpo. E, alguns minutos, o homem estátua se apresentava em frente ao espelho.
Carregando um chapéu e sua velha mala, ele caminhava em direção à praça. As mangueiras, ainda tímidas, só eram perturbadas pelos cantos dos pássaros da manhã e pela brisa fraca que vinha cumprimentar as folhas. As barracas começavam a ser armadas e já se ouviam as primeiras buzinas e assopros de flautas andinas. Ele olhava o abismo vertical dos prédios, tentando lidar bravamente com a vertigem que o seduzia, procurava engolir com suspiros a nostalgia do sábado e cantarolava qualquer canção que falasse em solidão. As crianças, os pais e os cachorros começavam a chegar. Chegavam também os namorados, os manifestantes e os pedintes que se punham em sentinela. O homem estátua também precisava assumir seu posto.
Do alto de seu banco, fazendo uma pose de rei, ele observava agora as pessoas que passavam de um lado para o outro, agradecendo em gestos tímidos pelas moedas que recebia e mudando subitamente de posição, para o desespero de alguns velinhos que se quedavam assustados. Parou para ouvir o profeta, uma de suas personagens preferidas, pelo qual todos passavam sem dar notícia e com um certo ar de desprezo, a não ser por alguns que não resistiam em fazer gracejos ou xingamentos. “E se estivermos todos errados?”, pensava. “E se nós é que formos os loucos?”. Perguntas como essas sempre lhe davam na veneta. E se prestava então a ouvir humildemente, repetidamente, dia após dia, aquelas sentenças herméticas e palavras sem sentido, tentando arrancar um fio de cabelo que dissesse alguma coisa sobre a vida.
Poema Simples
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
A falta da pele
Os versos mentirosos contaram ser a tristeza coisa triste
Mal sabia os poetas charlatões
Que a saudade é tristeza pior que a tristeza
É mal pior que a doença
Me assombras a falta de forma peculiar
Em um aperto no ventre
Em um pensamento pragmático
E um delírio das razões
Benzinho, as noites sem ti nem noite são
Me fazes falta o toque
O olho
A mente
A maneira
E o beijo
As noites sem ti são, no máximo, só noites
Sem tantas alegrias
Com quase nenhuma vontade.
Despidas de desejo
E pobres de festa
A saudade é bactéria
Contamina-me de tristeza
De vontade do que não posso
De saudade das tuas posses
Das tuas ordens
Das tuas vontades fúteis de segurar minha mão
Eu mal consigo pensar
Sou ralo em inspirações
Raso em poesia
És o fermento da minha criatividade
Os versos que componho em pura exaltação do amor
És o amor em si
Por isso amo o amor
És a presença
Por isso não vivo sem está
És meu infinito que busca o seu começo
És um começo já dado, mas que pressente a sua verdadeira largada
Começaste breve, em oito dias
Retumbaste grave em um ano
E reverberarás por toda a minha vida.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Acolhida
Sem nenhuma pressa para chegar
E se aconchegou tão devagarzinho
Que fui, distraída, deixando-o ficar
Por diversas vezes me prometi
Que não o deixaria ali demorar
O tempo passou... E eu não percebi...
Quando dei por mim, já era o seu lar
Dei àquele moço o espaço que queria
Ainda mais espaço lhe cederia
Se ele me pedisse, sem hesitar
Se eu quiçá previsse naquele dia
O quanto me agrada sua companhia
Jamais o teria deixado entrar
Soneto da madrugada
Minha medida, sem medida em mim
Porque aqui, não ali, são meus agora,
Os teus passos sem abraços e fim?
Qual gesto, tu me deixas, se tu choras
Fecha os olhos e as mãos e o meu ruim
O que morre, senão morre ou demora,
O que arranco antes mesmo de ser sim?
Pela noite, dormes onde desperto,
E fugindo eu chego, quando eu te ouço,
Da luz ao longe a ti já estou deserto...
Com a lua invado teu calabouço
E contigo eu deito se eu estiver perto,
Te trazendo estrelas pelo meu bolso.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Do frio da manhã,
Do calor seguinte,
Do peso do corpo.
Medo de deitar,
Do frio da cama,
Do calor da mente,
Dos sonhos.
Medo de chorar,
Do frio das lágrimas,
Do calor do rosto,
Do rosto corado.
Medo de olhar,
Do frio do espelho,
Do calor da luz,
De vencer...
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Poesia pra ele
que de olhar tão profundo,
me levou o coração.
E as palavras pouco claras.
Das canções mais raras,
domina o refrão.
Menino vadio, sem escrúpulos,
me deixou em seu mundo
levou todo o meu chão.
E depois, como quem logo esquece,
não que eu me interesse,
anda em outra paixão.
Pequeno, nem todo bonito,
provocou o meu grito,
E na garganta mil nós.
Mas por trás de todo esse teatro,
dois mais dois são quatro,
Estaremos a sós.
Pouco me importam as outras,
Teu molde sou eu e não cabe ninguém.
Na tua fôrma, só cabe meu corpo,
Minhas formas, meu rosto te dizem: amém.
Apesar de você,
amanhã ha de ser:
Eu sorrisos, você solidão.
Como o filho que volta pra casa,
cortarás tua asa
e trarás, coração.
